A mais recente boa notícia é que além de dar seu nome a um Centro de Arte e a um abrigo (CEMASI) de idosos na Praça da Bandeira, Maria Teresa Vieira agora também é nome de rua. Fica na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, entre a Estrada Chagas Freitas e a Av. do Magistério. Agradecemos ao Prefeito César Maia por esta iniciativa, um reconhecimento justo a uma grande artista e educadora.
Aproveitamos para deixar aqui mais um techo do seu livro "Passagens":
"...As casas para mim eram pessoas. Por isso, eu senti muito as perdas de algumas pessoas, e senti também as perdas das casas. Mas agora, sei que não foram perdas, foram passagens. Ninguém perde ninguém. Ninguém perde casa. São passagens. São as passagens das coisas. E hoje, eu me vejo num lugar, ao qual foi dado a pessoa que lutou para ter, e que construiu esta casa – onde o espaço é da prefeitura e a casa é minha.
Nós somos co-autoras desta casa. A prefeitura e eu. Nós somos as donas da casa. Vou tratá-la carinhosamente, porque ela é do município. É uma casa que o município toma conta. Ele deu para mim, e eu dei para ele. É uma casa que eu tenho que ter o maior cuidado para ninguém bulir, para ninguém interferir, para ninguém prejudicar. Eu sou guardiã desta casa da Rua da Carioca, 85; e como guardiã, só deixo entrar aqui dentro, arte, arte-educação e a vida. Nada vai destruir, nem prejudicar. Porque os meus amigos fizeram essa dádiva de tijolos, de construção, para que eu cuidasse dela.
Quem ficar que continue esse ritmo. Desenvolvendo. Nada vai prejudicar essa casa e o seu mecanismo. A arte-educação, a parte de pintura, uma pequena biblioteca, escultura e gravura futuramente. Mosaico, xilogravura, que é mais leve. É uma coisa íntima. Um pouco de serigrafia. Tudo com parcimônia. Um pouco de teatro, literatura da palavra. Um pouco de pesquisa de cor, de forma, de textura, de poesia e música. Tudo relacionado. Eu acho que é isso mesmo. (p.110)
E agora, eu tenho que tratar bem do tempo que falta, que vai ser algum .............. Pode ser mais trinta anos, pode ser vinte, pode ser até dez anos, até penso que pode ser cinco, ou dois, ou um, ou zero. O tempo que eu ficar, eu tenho que trabalhar com muita intensidade, com muita verdade. Continuar trabalhando. E não esquecer que eu não sou só professora. Eu sou artista plástica. Eu tenho que vivenciar o processo criador, para poder dar uma boa aula. Eu tenho que continuar meus quadros.
O que foi doado para o uso pode crescer e se tornar uma fundação. Acho que merecemos. A minha vida pode continuar e a lembrança dos que materializaram este sonho, que se tornou também uma realidade para a comunidade.
Obrigada Marcelo Alencar, acreditaste em mim e como prefeito autorizou essa realização.
Aqui estou, 5 horas da manhã em minha prancheta preparando aulas, desenhando, fazendo poesia e na escuta sendo guarda deste nosso tesouro. Minha solidão está povoada. Obrigada César Maia por acreditar em mim por mais dez anos.
Maria Teresa Vieira. 1996."
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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